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domingo, 23 de setembro de 2012

ORFANDADE



Morte rude, nefasta e comovente
Assassina cruel de mãe querida
O seu instinto perverso de homicida
Transformara o prazer da nossa gente.

Daquela prole eu fora o mais carente
Dos carinhos sublimes desta vida
Uma criança de alma estarrecida
Mergulhada na dor eternamente.

Chorei muito depois que mãe morreu
Minha infância, nefanda, comoveu
O princípio da minha mocidade.

Nesse berço sagrado de Dom Lino
Seu passara o meu tempo de menino
Contristado com a minha orfandade.

Antônio Agostinho Santiago – Russas-CE
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Créditos da imagem: desafiodeser
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quinta-feira, 14 de junho de 2012

DESCRENÇA



Eu sou um tosco rebento da desgraça
Excremento que vaga sobre o chão
Como rústico parente de Adão
Eu detesto a minha tétrica raça

Meu talento poético amordaça
A mentira nefanda, a imperfeição
Que perturba meu rude coração
Neste mundo de crime e de trapaça

Já não vejo na vida mais assédio
A descrença me causa um grande tédio
Hoje vivo somente da descrença

Eu trago em mim a dor como um castigo
Meu tormento macabro de mendigo
Apagou para sempre a minha crença

Antônio Agostinho Santiago - Russas-CE
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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Soneto ao Poeta Castro Alves (vulgo Secéu)

Castro Alves



O poeta condoreiro
Pregou com sinceridade
O grito de liberdade
Do nosso irmão brasileiro

Debatendo o cativeiro
Esse gênio na verdade
Demonstrou fidelidade
No seu papel de troveiro

Esse poeta romântico
Descrevera no seu cântico
A nossa libertação

Nosso poeta Secéu
Arrebentara o labéu
Da tremenda escravidão.

Antônio Agostinho Santiago - Russas-CE
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SONETO A SECA





Negra cruel e faminta
A seca sempre tem sido
Deixando mato abatido
E a fauna bonita extinta

Dessa maneira ela pinta
O velho bosque florido
Deixando o campo esmarrido
Com o toque da sua tinta

Vai praticando hecatombe
É de bem que aqui eu zombe
Com toda a minha franqueza

A seca devora mais
Do que toscos animais
Abatendo a linda presa

Antônio Agostinho Santiago - Russas-CE
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SONETO ÍNTIMO




Tresloucado vagar a vinda inteira
Nesse caos de miséria e de ternura
Eu vi de perto a minha desventura
Essa rústica e louca companheira

A pobreza nefanda e corriqueira
Me levara pro mundo da amargura
Meu espírito perdeu toda postura
Com o impulso da sorte passageira

Sem arrimo viril, sem resistência
Eu vou cantando a triste decadência
Como dimana a minha vocação

Como grande poeta genial
Sinto o peso da mágoa crucial
Devastando o meu tosco coração

Antônio Agostinho Santiago - Russas-CE

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